quinta-feira, 4 de agosto de 2011

BPN e Golden Shares

Uma das grandes broncas herdadas pelo governo anterior e caso em tribunal, o BPN, tem finalmente o encaminhamento devido por parte do Ministério das Finanças que me parece estar a arrumar bem a casa e em tão pouco tempo.

O BIC - Banco de capitais angolanos sediado em Lisboa e representado por Mira Amaral, comprou o BPN por 40 milhões de euros, muito longe dos 2,4 mil milhões de € gastos no processo de nacionalização em 2008. Segundo a secretária de estado Maria Albuquerque, o BIC apresentou a melhor proposta superando as outras apresentadas pelo Montepio que não se propôs a comprar o banco, mas sim ficar com as agências e com os sistemas de pagamentos e depósitos, nem tão pouco o Núcleo Estratégico de Investidores que queria dar até ao final do ano 5% de um montante na ordem dos 106 milhões de € e pagar o resto faseadamente por um período de 6 anos. Quanto a despedimentos, 750 dos 1580 trabalhadores estão salvaguardados para já, podendo o valor de custo dos despedimentos ascender aos 47 milhões de €, mas são contas ainda a fazer.

Francamente, acho que neste momento melhor não se poderia fazer, pois os encargos deste processo poderiam continuar a ascender sem parar, não havendo de futuro o mínimo de credibilidade necessária que hoje em dia está é fundamental no mundo dos mercados financeiros. No fundo, o estado livra-se dos problemas estruturais provocados pela anterior administração e o BIC propõe-se a ser mais um player no mercado nacional assumindo-os. É um bom negócio para ambas as partes.

Quanto às golden shares, o estado finalmente acabou com elas, o que quer dizer 2 coisas: deixa de ser ilegal para as regras de mercado, pois o proteccionismo do estado acaba. Por outro, as grandes empresas nacionais (Galp, EDP e PT), podem ser alvo de OPA's tal como a PT foi no passado pela Telefonica, possibilitando uma grande mudança estrutural e empresarial em Portugal, o que provavelmente implicará deslocalização de sedes e perca de empregos. Potencialmente perigoso, pois as grandes empresas aglutinam as mais pequenas, mas estas são as regras de mercado que Portugal tem que aprender a jogar. Ainda não aprendeu...

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